Na encruzilhada portuguesa: a antropologia contemporânea e a sua história

No presente artigo, sugerimos uma leitura da formação da antropologia em ­Portugal que assume que a “construção da nação” e a “construção do império” nunca estiveram muito afastadas uma da outra e tenderam sempre a mesclar-se - em certos momentos de forma muito evidente, noutros de forma mais mediad...

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Detalhes bibliográficos
Autor principal: Viegas,Susana de Matos (author)
Outros Autores: Pina-Cabral,João de (author)
Formato: article
Idioma:por
Publicado em: 2014
Assuntos:
Texto completo:http://scielo.pt/scielo.php?script=sci_arttext&pid=S0873-65612014000200007
País:Portugal
Oai:oai:scielo:S0873-65612014000200007
Descrição
Resumo:No presente artigo, sugerimos uma leitura da formação da antropologia em ­Portugal que assume que a “construção da nação” e a “construção do império” nunca estiveram muito afastadas uma da outra e tenderam sempre a mesclar-se - em certos momentos de forma muito evidente, noutros de forma mais mediada. De facto, numa perspetiva mais ampla, entendemos a antropologia em Portugal como parte do que poderíamos denominar uma “quinta tradição” - isto é, uma história disciplinar abertamente cosmopolita, que se posiciona fora das quatro tradições imperiais da antropologia dos séculos XIX e XX (alemã, francesa, britânica e americana). Neste sentido, o cosmopolitismo não hegemónico dos cientistas sociais portugueses coloca-os numa posição semelhante à dos japoneses, indianos ou brasileiros. Em particular, o lugar de Portugal na encruzilhada das rotas euro-americanas de intercâmbio intelectual e das rotas do Atlântico Sul reafirma-se recorrentemente como marca central da forma como as ciências sociais portuguesas intervêm no debate científico global.