Summary: | Com este artigo pretende-se analisar o papel da corrupção e da confiança institucional no processo de consolidação das democracias latino-americanas. O fenómeno da corrupção não representa apenas uma violação dos princípios fundamentais de igualdade, transparência e justiça sobre os quais se edifica a democracia, é também visto como um dos principais factores de ruptura de um regime democrático, minando a sua legitimidade em geral e a confiança dos cidadãos nas suas principais instituições. Em quase todas as democracias latino-americanas, os níveis de corrupção e de desconfiança institucional mostram-se significativamente superiores aos registados nas democracias tidas como consolidadas. Contudo, não existe qualquer prova empírica que permita sustentar a tese de que a confiança dos cidadãos nas principais instituições do estado, encarregues da implementação de políticas públicas (policy-implementing institutions) - polícia, aparelho judicial e administração pública - é mais negativamente afectada pela corrupção nas democracias latino-americanas do que nas consolidadas. Os resultados obtidos neste estudo levantam algumas reticências à hipótese de que as atitudes dos cidadãos fariam parte integrante do conceito de consolidação da democracia (CoD). Em alternativa, as atitudes dos cidadãos são aqui interpretadas como um fenómeno independente que poderá vir a influenciar a persistência da democracia.
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