Summary: | Atualmente o ser humano vivencia uma mudança na forma como o clima se manifesta, o que pode ser medido e verificado, por meio de metodologias diversas que compara o histórico registado com a atualidade em cada região do planeta. A vegetação tem uma importância relevante, ao servirem de sumidouros naturais de carbono e ao permitirem um arrefecimento da temperatura, onde as florestas assumem um papel de destaque no controlo das alterações climáticas. A dinâmica do crescimento das árvores é influenciada pelo clima, sendo necessário estudar de que forma esta influência afeta o crescimento, para assim, averiguar quais as consequências das alterações climáticas nas florestas. A presente dissertação tem por objetivo mostrar de que forma o clima influencia o crescimento de duas espécies autóctones de Portugal, o Pinheiro-Bravo e o Pinheiro-Manso. Foi realizado um estudo dendroclimatológico, com base nas séries de crescimento das várias árvores amostradas e nas séries climáticas, uma vez que os anéis de crescimento anual têm a capacidade de reter a informação climática aquando da sua formação. O estudo da influência do gradiente climático foi conseguido com a amostragem de uma região a norte do Tejo, caracterizada por um clima mais húmido, Leiria, e duas a sul do Tejo, caracterizadas por um clima mais seco, Península de Setúbal e o Sudoeste Alentejano. Constatou-se que o Pinheiro-Bravo tem uma preferência por climas mais húmidos, possuindo mecanismos que evitam os efeitos prejudiciais das secas e, por sua vez, o Pinheiro-Manso é uma espécie adaptada a climas mais secos, tendo um melhor desenvolvimento nas regiões a sul do Tejo. O crescimento do Pinheiro-Bravo correlaciona-se positivamente com a temperatura ao longo dos vários meses do ano. Contudo, a sul do Tejo, onde a precipitação é menor, o seu crescimento é reduzido. Já o crescimento do Pinheiro-Manso, correlaciona-se positivamente com as temperaturas dos meses de primavera, com um crescimento mais lento que o Pinheiro-Bravo. No entanto, em condições mais benévolas, tende a haver uma antecipação da época de crescimento. Ao se relacionar o crescimento à precipitação, verificou-se que ambas as espécies se correlacionam com a precipitação acumulada nos meses anteriores ao crescimento. Tal situação indica que as espécies armazenam os seus metabolitos, usando-os quando as condições são mais propícias ao desenvolvimento. Constatou-se que o Pinheiro-Bravo é a espécie mais suscetível a um futuro clima mais quente e seco, podendo vir a ter uma redução significativa na sua distribuição nas zonas a sul. Por outro lado, o Pinheiro-Manso é uma espécie mais resiliente aos efeitos das alterações climáticas, por ser mais resistente à seca e ao aumento da temperatura em certas zonas, conseguindo uma melhor recuperação após eventos extremos. Dada a sua maior adaptação ao clima seco, esta espécie pode vir a ter um aumento na sua distribuição local. As alterações climáticas previsivelmente vão levar a uma diminuição do crescimento das árvores e levar a uma alteração da paisagem existente.
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