Resumo: | A filosofia heideggeriana pode ser rotulada, com alguma razão, de ‘tecnófoba’, a de Sloterdijk como ‘tecnófila’. Sabendo que Sloterdijk procura, em boa parte da sua obra, uma confrontação direta com Heidegger, pretendo mostrar na breve análise que se segue que a suposta oposição não é tão clara e linear como parece à primeira vista. Partindo de várias premissas heideggerianas relacionadas sobretudo com os termos mundo e morar, e partilhando com Heidegger a ideia geral de uma História do Ser, de uma História da Metafísica e do caráter de enérgeia que atua na essência dos fenómenos ‘verdadeiros’, as reflexões sloterdijkianas sobre a técnica diferem das de Heidegger essencialmente pelos aspetos (a) da inclusão da antropologia na fenomenologia e ontologia do ser humano, (b) pela elaboração extensa e rigorosa de uma fenomenologia do espaço, em detrimento do tempo (algo que, no entanto, se bem que de um modo menos extensamente trabalhado, acontece em Heidegger), e, muito em particular, (c) pela diferente interpretação da técnica no seu todo, assim como da sua essência
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