Resumo: | Nas últimas décadas, o combate ao tráfico de pessoas tem-se consolidado gradualmente também em Portugal, através da ação conjunta de organizações governamentais e forças policiais com organizações não governamentais e internacionais. Apesar da falta de evidências, as preocupações envolveram, em primeiro lugar, as mulheres migrantes exploradas no mercado do sexo. No entanto, estas cedo deixaram de estar entre as primeiras preocupações de resgate e o tráfico sexual tornou-se um assunto tabu. O artigo questiona o desaparecimento da exploração sexual da ideia de tráfico, em Portugal. Para tal, analisa a construção do campo do combate ao tráfico no país, utilizando as fer-ramentas analíticas de campo e de encerramento ideológico. O artigo argumenta que, num contexto atravessado por conflitos violentos em torno da venda de sexo, bem como por um alto nível de isomorfismo institucional, o objetivo superior de construir o campo do combate ao tráfico restringiu a ideia de tráfico, da qual o tráfico sexual permanece substancialmente excluído.
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