Resumo: | O Museu Nacional de Etnologia (Nampula) foi inaugurado em pleno colonialismo português, numa altura (1956) em que a “portugalidade” tinha acabado de ser cunhada, com o objetivo de sublinhar o slogan do Estado Novo, “Portugal do Minho a Timor”, consubstanciado na ideia de que “Portugal não é um país pequeno”. De então para cá, o equipamento tem sofrido as vicissitudes relativas às transformações politicas que o país sofreu. Desde logo por se ter tornado independente e de ter determinado que a cultura devia estar ao serviço da “moçambicanidade”. Foi a troca de um essencialismo colonial por um outro com um recorte pós-colonial que, no entanto, teve que se adaptar à realidade social, deixando para trás um olhar uniforme sobre o país. Sendo diverso nas suas diferentes geografias, por conseguinte a “moçambicanidade” também o deveria ser, o que não deixa de ser um contrassenso. Atribui-se a Eduardo Mondlane a paternidade dessa “moçambicanidade” que o atual museu faz questão de sublinhar, muito por culpa do acervo sobre a cultura Makonde, que constitui o seu pilar mais forte, lembrando que a guerra de libertação que derrotou o colonialismo português, também teve por missão resgatar a identidade cultural dos moçambicanos. Um ideário que vive entre o corte com o colonialismo português e o socialismo “libertador” consequente.
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