Resumo: | Introdução As perturbações músculo-esqueléticas têm aumentado na última década para níveis deveras preocupantes, exigindo por isso uma atenção cuidada por investigadores e profissionais de saúde com o intuito de identificar e controlar os factores de risco. Estudos epidemiológicos revelam que esse aumento se verifica sobretudo nos países desenvolvidos, com tendência para a cronicidade e manutenção na idade adulta, o que representa um problema de saúde pública. Objetivos O presente estudo pretende identificar a prevalência das perturbações músculo-esqueléticas nos adolescentes e analisar a sua relação com as variáveis sociodemográficas, antropométricas e circunstanciais. Método Trata-se de um estudo não experimental, transversal, descritivo-correlacional e de caráter quantitativo, que envolveu 137 adolescentes das três escolas do Agrupamento de Escolas de Mangualde. Foi realizado com recurso ao uso de um questionário que avalia as variáveis sociodemográficas, antropométricas, circunstanciais e perturbações músculo-esqueléticas. Usámos o “questionário da atividade física” para avaliar a prática de atividade física e o “Questionário Nórdico Músculo-Esquelético” para avaliar as perturbações músculo-esqueléticas. Resultados Os dados mostram que existem grupos significativos de adolescentes a referir perturbações músculo-esqueléticas nos últimos 12 meses tendo estas ocorrido sobretudo nas pernas/ joelhos (47,4%), coluna dorsal (37,2%), coluna lombar (35,8%), coluna cervical (35,0%) e ombros (34,3%). Observa-se ainda que as perturbações musculoesqueléticas são mais prevalentes nos adolescentes do género feminino, de classes socioeconómicas baixas, com altura superior a 1,59 m, que usam a mochila sobre um ombro, que despendem mais do que 5 horas semanais a ver televisão e que gastam mais do que 5 horas semanais a jogar jogos de vídeo ou a utilizar o computador. Conclusão O nosso estudo reforça a ideia que as perturbações músculo-esqueléticas estão presentes em grupos significativos de adolescentes, têm uma origem dinâmica, multifacetada e multidimensional. Mostra ainda que existem fatores que assumem particular importância por concorrerem diretamente para a ocorrência destas manifestações (como os de origem mecânica) e outros que influenciam indiretamente, sobretudo os de origem social ou organizacional. Neste contexto torna-se imperativo que se aposte na prevenção destas patologias através de intervenções de reabilitação e readaptação promotoras de um funcionamento músculo-esquelético optimizado. Palavras-chave: Adolescentes, perturbações, músculo-esqueléticas, dor, escolar.
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